Feliz VOCÊ Novo!

Post_1o_2018

 

A escolha humana

Para os seres humanos o planeta Terra é uma dimensão da experiência, mediante a qual, por tentativa e erro, tu reconheces a distinção entre a satisfação de tuas necessidades particulares e as dos diversos grupos em que tua presença se insere. 

Se existes para satisfazer exclusivamente tuas necessidades particulares, nunca compreenderás o funcionamento do Universo em que te movimentas e esse te parecerá ameaçador; então ainda que de forma inadvertida, tu serás uma presença predadora. 

O universo te permite fazer isso, estás aqui para experimentar, mas precisas saber que se tu tentas destruir a Vida de tua vida, por ela serás destruído. 

Este é um princípio universal. A contrapartida é real, se tu proteges a Vida de tua vida, por ela também serás protegido.

Esta é a escolha que faz de ti um ser humano.

Oscar Quiroga

 

Desejo a todos as melhores escolhas em 2018.

Seja livre! Seja sábio! Seja você!

 

 

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Conto de Final de Ano

ou Onde está a Esperança

 

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“Era uma vez Pandora, a primeira mulher criada por Hefesto sob as ordens de Zeus. Pandora é uma personagem da mitologia grega, de uma história contada pelo poeta grego Hesíodo, que viveu no século VIII aC. De acordo com a obra, o titã Prometeu presenteou os homens com o fogo para que dominassem a natureza. Zeus, o chefe dos deuses do Olimpo, que havia proibido a entrega desse dom à humanidade, arquitetou sua vingança criando Pandora, sua primogênita”.

Uma das várias versões deste mito indica que Pandora, uma mulher de extrema beleza, foi enviada por Zeus para se casar com  Epimeteu, que era irmão de Prometeu (aquele do fogo). O presente de casamento era uma caixa que continha todos os males. Essa caixa ficou conhecida como Caixa de Pandora. Antes de enviar Pandora à Terra, Zeus entregou-lhe a caixa, recomendando que jamais fosse aberta, pois dentro dela os deuses haviam colocado um arsenal de desgraças para o homem como a discórdia, a guerra, doenças do corpo e da mente e um único dom: a esperança. O problema é que Pandora não conteve sua curiosidade e abriu a caixa, libertando todo aquele saco de maldades sobre a humanidade, só fechando antes que a Esperança pudesse sair. Desta forma, os deuses se vingaram de Prometeu por ter roubado o fogo.

Outra versão é de que Pandora foi enviada por Zeus com boa intenção, a fim de agradar ao homem. O rei dos deuses entregou-lhe, como presente de casamento, uma caixa em que cada deus colocara um bem. Pandora abriu a caixa e todos eles escaparam, exceto a Esperança.

Uma aproximação deste mito pode ser feita com a Queda de Adão e Eva relatada no livro do Gênesis. Entretanto, a versão bíblica é mais indulgente com a mulher, que é levada ao erro pela serpente, mas que divide a culpa do pecado original com o homem.  Na filosofia pagã, Pandora não é a fonte do mal, ela é a fonte da força, da dignidade e da beleza.

 

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Caberia perguntar quanto ao sentido desta lenda: por que uma caixa contendo todos os males da humanidade conteria também a Esperança? Na Ilíada, Homero conta que, na mansão de Zeus, haveria duas caixas, uma que guardaria os bens, outra os males. O nome “Pandora” possui vários significados: panta dôra, a que possui todos os dons, ou panton dôra, a que é o dom de todos (dos deuses).

Em Psicanálise, chamamos de ambivalência esta experiência de ter pensamentos e emoções simultaneamente positivas e negativas, em relação a alguém ou alguma coisa. O problema é que, na maioria das vezes, essa ambivalência  é um reflexo do nosso próprio mundo interno, e fica muito difícil aceitar nossa versão real, diferente daquela idealizada.  Esse conflito tem início lá na infância, observe as crianças: nos contos de fadas, a maioria se identifica com a princesa ou o príncipe. E o MAL fica do lado oposto, com os vilões.

Em outras  palavras, o alívio de nossas angústias e sofrimentos seria aceitar um mundo em que o bem e o mal caminham lado a lado, internamente e ao nosso redor.  Não um mundo preto e branco, certo ou errado, meu ponto de vista contra o seu. Mas um mundo xadrez. Dá pra imaginar?

Voltando ao mito, pode-se fazer uma piada e dizer que Esperança é o que se consegue quando se chega ao fundo da caixa, também conhecido como fundo do poço. Nossa cultura popular está impregnada desse mito, já ouviu?

A moral dessa estória, em minha opinião, é que sem enfrentar nossas dores e contradições, não atingimos o Prazer – que também é conhecido como equilíbrio, felicidade, alívio dos sintomas, bem-estar. Pensando assim, até que faria sentido a Esperança ficar lá no fundo da caixa, depois de muita negação, angústia, culpa, pensamentos obsessivos, doenças psicossomáticas.

2017 está de saída e, se você está lendo este texto, fica meu convite para o próximo ano: vamos abrir sua Caixa de Pandora?

Em 2018, peça a ajuda de um terapeuta e inicie sua jornada. Boa viagem!

#fikadika Pais e cuidadores

 

Dezembro para terapeutas que atendem crianças e adolescentes, é um mês de re-pensar: avaliar o trabalho realizado durante o ano, as conquistas, perdas… de conversar sobre os sintomas dos pacientes, discutir caminhos para o próximo ano e também comemorar altas.  Este balanço é realizado em parceria com os pais, em uma dinâmica que chamamos de entrevistas devolutivas.

Em plena temporada de devolutivas, me sento angustiada com a culpa que venho percebendo nos pais a cada encontro. “Ele é assim e não sei o que fazer”. “No meu tempo era diferente”. “A culpa é nossa” –  são frases que ouço com frequência. De fato, me parece que é cada vez mais difícil às famílias resolver a equação de educar sem confrontar ou entristecer os filhos.

No desejo de acolher essas queixas, encontrei amparo nesta entrevista com o professor e filósofo Mário Sergio Cortella, publicada em 12 de maio de 2017 no jornal O Estado de S. Paulo.  Na conversa, Cortella destaca a necessidade de exercer autoridade sobre os filhos e não transformar desejos em direitos. Como mãe e terapeuta, considero as palavras do professor um sopro de lucidez e libertação em tempos de pais culpados.

Boa leitura!

‘Os pais esquecem que a família não é uma democracia’, diz Mario Sergio Cortella                                  Estão criando crianças soberanas e não autônomas Foto: Ricardo Chicarelli/Estadão

 

O senhor fala que a atual geração de pais dá “toda voz” às crianças. A falta de tempo faz com que os pais optem por evitar confronto com os filhos?

A falta de tempo é uma das causas. Ela não é exclusiva, mas extremamente significativa. Afinal de contas, quando um casal inicia uma discussão, é preciso ter tempo para levá-la adiante e concluí-la, de modo a não sofrer alguma ruptura. A ausência do tempo de convívio leva a uma rarefação também do tempo de enfrentamento. Eu uso a palavra enfrentamento sem nenhum tipo de pudor. Porque toda relação de educação tem dentro dela um enfrentamento.

O senhor fala do medo dos pais em confrontar os filhos, de discipliná-los e entristecê-los. Há uma geração de pais com medo de exercer autoridade?

É uma geração que inverteu a relação. Afinal, quando tenho responsabilidade sobre alguém, tenho sempre de lembrar que ela está sob a minha ordenação, está subordinada a mim. Isso não significa que ela seja submissa ou inferior, mas que, do ponto de vista familiar ou legal, tenho responsabilidade por aquele cuidado. A sensação é que os pais se sentem responsáveis para que o filho seja feliz naquela circunstância imediata. É uma felicidade que não é construída e projetada para um aproveitamento mais adiante, é apenas imediata. Há um grande número de pais e mães que enfraqueceram a sua autoridade.

A preocupação excessiva de deixar as crianças em situações prazerosas e a dificuldade de imposição de limites as prejudica?

É uma ilusão imaginar que cabe aos adultos fazer com que crianças e jovens estejam o tempo todo se divertindo. Essa perspectiva hedonista, de uma energia movida apenas pela busca contínua do prazer, é muito danosa porque deforma o que temos de formar nas crianças. Uma grande parte dos jovens tem dificuldade de lidar com a recusa dos desejos. Uma parte dos filhos hoje é criada por pais que assimilam a ideia de que os desejos são direitos e, portanto, é preciso corresponder, outorgá-los. Essa condição, em que se procura o tempo todo dar conta dessas necessidades, enfraquece a nova geração.

Há uma busca muito grande dos pais hoje para oferecer aos filhos o maior número de atividades para que se destaquem. Temos hoje crianças muito estimuladas, mas pouco motivadas?

A motivação parte de dentro e o estímulo vem de fora. Pais precisam ser capazes de estimular a motivação na criança. Esse excessivo agendamento da vida de crianças e jovens, que os deixam quase sem tempo livre, tem uma perspectiva muito mais de preparação para um mundo de combate do que para uma formação densa de valores. Aliás, uma parcela dos adultos usa, em relação aos seus filhos, uma linguagem bélica: “Tenho de preparar meu filho para o combate”, “para a luta da vida”, “para a competição”. Como se a vida fosse uma corrida de 100 meros rasos com barreiras, em que você dispara e cai quase desmaiado no final. Não, a vida é mais como uma maratona. E temos de formar crianças e jovens para essa percepção: a maratona exige situações em que você economiza fôlego, acelera, recua.

Sempre é possível restabelecer uma boa relação com os filhos?

Claro. O pai que diz não ter alternativa assume a falência da capacidade de ação. Quem tem responsabilidade sobre alguém não pode desistir e, afinal, quem ama não desiste. Há pais que estão criando crianças soberanas e não autônomas. Também esquecem que a família não é uma democracia – um conceito político que se aplica a um conjunto de cidadãos com direitos iguais. Uma família pode ser uma estrutura participativa, mas não democrática. Pais e filhos têm os mesmos direitos no que diz respeito à dignidade humana, mas é preciso exercer autoridade. Dar a mesma autoridade à criança é uma responsabilidade que ela não pode carregar.

Hipotireoidismo: Quando a causa da Depressão é física e não psicológica

 

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As pessoas com problemas na tireoide podem apresentar distúrbios emocionais, físicos e mentais. O hipertireoidismo e hipotireoidismo são os dois tipos mais comuns dessa doença que está relacionada ao câncer na tireoide.

Quais sintomas você pode apresentar?

Seja qual for o seu tipo de distúrbio tireoidiano, ele pode fazer com que você se sinta mais sensível e que tenha mudanças repentinas de humor. Você também pode apresentar sintomas como:

  • Ansiedade – um sentimento de nervosismo, coração acelerado, tremores, irritabilidade, insônia;
  • Depressão – humor baixo, dificuldade em apreciar as coisas, choro, perda de apetite e sono perturbado;
  • Mudanças de humor, temperamento explosivo, e mau humor;
  • Problemas de saúde mental:
  • Dificuldade em se concentrar;
  • Lapsos de memória a curto prazo;
  • Falta de interesse e agilidade mental;

Estes sintomas podem levar a pessoa a imaginar que está ficando louca, devido ao medo de ter um lapso de memória permanente, mas esses sintomas não são tão graves quanto aos de uma demência, então não se preocupe com isso.

Sobre os sintomas psicológicos

Geralmente a causa são os níveis anormais dos hormônios da tireoide. O hipertireoidismo pode causar ansiedade, irritabilidade e alterações de humor; enquanto o hipotireoidismo pode causar problemas de memória, bem como a depressão. Os pacientes às vezes relatam que ganharam peso ou que têm dificuldade em perder peso durante o tratamento, isso pode contribuir para os sentimentos de baixa autoestima e humor.

As rápidas mudanças nos níveis hormonais da tireoide podem perturbar suas emoções. Controlar a tireoide é essencial para estabilizar o seu estado de espírito.

Muitas vezes os sintomas psicológicos são um efeito colateral do tratamento. Esteroides, por exemplo, podem agravar a depressão, pois são beta bloqueadores que abrandam o ritmo cardíaco e reduzem a ansiedade, então se você tiver problemas na tireoide pode ser que se sinta cansado, deprimido e que tenha dificuldade em processar os pensamentos.

Eventos estressantes podem agravar os distúrbios na tireoide. Se você já está estressado em outras áreas da vida, isso pode contribuir para intensificar os sintomas psicológicos.
Saber que você tem uma disfunção na tireoide é algo estressante e você pode se se sentir confuso. É comum ter uma reação emocional antes, durante ou após o tratamento, por isso é importante que você fale com o seu médico para que a sua tiroide fique devidamente equilibrada.

Sobre o tratamento

Na maioria dos casos, os sintomas psicológicos melhoram com o reequilíbrio hormonal da tireoide. Mas esta melhoria pode não ser tão rápida quanto o esperado. É comum que você se sinta emocionalmente abalado por um tempo, mesmo depois que os seus exames de sangue voltem ao normal. Existem muitas coisas que podem te ajudar, como por exemplo:

  • Falar com o seu médico;
  • Fazer uma avaliação com um especialista que tenha experiência em lidar com problemas na tireoide;
  • Conversar com outras pessoas que passaram por uma experiência semelhante;
  • Conversar com um psicólogo sobre o assunto;

Não sinta vergonha de falar com o seu médico sobre os sintomas psicológicos associados à sua doença. Eles são uma parte importante dela, e não um sinal de fraqueza. Pergunte o quanto quiser, até entender o que está acontecendo com você, assim se sentirá mais seguro para lidar com a doença.

Estes sintomas também podem impactar a sua família e amigos, por isso é importante lhes dar a oportunidade de entender o que está acontecendo com você. Os sintomas podem afetar o seu trabalho também, por isso é importante que o seu chefe saiba pelo que você está passando. Da mesma forma, as crianças que têm estes sintomas podem sofrer um impacto em suas vidas escolares, por isso é importante que os professores sejam informados, assim poderão fazer as concessões necessárias.

Os sintomas físicos como perda de cabelo, ganho ou perda de peso, podem afetar a forma como você se sente. Embora nesse caso a causa seja física, a depressão ou a ansiedade que você sente, pode requerer um tratamento especializado. Tratamentos como relaxamento ou psicoterapia de curta duração podem ajudar. Se o seu problema for mais persistente, pode ser necessário o uso de medicamentos como antidepressivos.

Se os seus sintomas forem graves, ou se continuarem mesmo após o tratamento, então você deverá pedir ao seu médico um encaminhamento a um psicólogo clínico que tenha experiência em problemas psicológicos associados a doenças físicas.

Vou me recuperar?

As perspectivas para a maioria dos distúrbios na tireoide são boas, e mesmo que os sintomas psicológicos levem um longo tempo para se estabelecerem, a maioria dos pacientes costumam ter uma recuperação completa e levarem uma vida normal, uma vez que a doença seja tratada.

Fique atento! 

  • Seus problemas de saúde mental e emocional devem melhorar à medida que a sua tireoide se estabilize, a longo prazo as perspectivas são boas.
  • Contar com um membro da família ou falar com um amigo pode ser de grande ajuda no tratamento.

Muitas vezes os problemas na tireoide são hereditários, então é necessário que você encoraje os membros da sua família para que façam um exame de tireoide, assim eles também poderão se tratar se esse for o caso.

Depressão ou tristeza?

 

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Depressão é uma doença que atinge milhões de pessoas atualmente e, por tal motivo, a maioria das pessoas acabam confundindo-a com tristeza. Para compreendermos melhor a distinção entre ambas, é fundamental que conheçamos bem os sintomas da tristeza e da Depressão propriamente dita.

A Depressão está muito associada ao sentimento de tristeza e choros compulsivos, contudo o maior erro das pessoas é acreditar que ela se restringe apenas a isso. E é em vista dessa visão muito limitada que alguns acabam acreditando que estão entrando em Depressão a partir do instante em que a tristeza surge, como se a mesma fosse algo incomum do ser humano e prejudicial.

“A tristeza é um estado afetivo desconfortável vivido com um sentimento de pesar, de dor psíquica e moral, geralmente relacionado a algo que contraria o que um indivíduo acredita almejar. Ela pode produzir sentimento de impotência, vontade de chorar, expectativa negativa quanto a eventos futuros, entre outros aspectos. A tristeza dá colorido à existência humana, sendo, portanto, um acontecimento normal (VERZTMAN, 2011). ”

Não existe tratamento para a tristeza, simplesmente porque tristeza não é doença. Qualquer ser humano está sujeito a senti-la. A tristeza é um sentimento momentâneo, considerado saudável e até importante pelos médicos. Senti-la ajuda na elaboração das perdas, ou sofrimentos ocasionais. As pessoas atingidas pela ocorrência de perdas, do emprego ou de entes queridos, atravessam uma fase de sofrimento e angústia, que pode se prolongar por um determinado período de tempo (cerca de 2 meses), e é simplesmente normal sentir-se assim. Porém, essa tristeza com o tempo vai diminuindo e a vida do indivíduo vai retomando ao ritmo normal (FIGUEIREDO, 2009). Assim como sentimentos de Alegria, Medo, Felicidade, Decepção, Surpresa, e muitos outros, incluímos a tristeza. Portanto é de se entender que a mesma é um sentimento natural que faz parte da espécie humana, e não há porque se preocupar tanto.

Mas em que situação eu posso começar a desconfiar da minha tristeza prolongada?
Quando a tristeza não passa, e começam a surgir sentimentos de apatia, indiferença, desesperança, falta de perspectivas ou prazer pela vida, saiba que esse é um sintoma claro de Depressão. Os sintomas podem aparecer ou desaparecer de maneira sutil e quase imperceptível, mas é importante saber que eles podem voltar. A depressão é doença séria e assim deve ser tratada (FIGUEIREDO, 2009).

A depressão foi classificada no Grupo das Doenças Afetivas. As doenças afetivas, são aquelas que apresentam uma evolução cíclica, em que se alternam períodos depressivos com fases de absoluta sanidade. Muitos acreditam que a Depressão é uma doença moderna, contudo Hipócrates, considerado o pai da medicina, descreveu seis doenças mentais, incluindo a Depressão, há aproximadamente 400 AC (FIGUEIREDO, 2009).

Depressão não é tristeza. É uma doença que precisa de tratamento. Aproximadamente 18% das pessoas irão apresentar Depressão em algum período da vida. A partir do instante em que o quadro se instala, é imprescindível buscar tratamento, pois caso o contrário, pode levar até meses para “desaparecer”. Depressão é também uma doença recorrente, isto é, quem já teve um episódio na vida, apresenta cerca de 50% de possibilidades de manifestar outro; quem teve dois, 70% e, no caso de três quadros bem caracterizados, esse número pode chegar a 90%. A depressão é uma patologia que afeta os mediadores bioquímicos envolvidos na condução dos estímulos por intermédio dos neurônios, que possuem prolongamentos que não se tocam. Entre um e outro, há um espaço livre chamado sinapse, absolutamente fundamental para a troca de substâncias químicas, íons e correntes elétricas. Tais substâncias trocadas na transmissão do impulso entre os neurônios, os neurotransmissores, vão modular a passagem do estímulo representado por sinais elétricos. Na depressão, há um comprometimento dos neurotransmissores responsáveis pelo funcionamento normal do cérebro (VARELLA, 2011).

Em boa parte dos casos, a Depressão normalmente produz perda de energia para agir, desânimo acentuado, dificuldade de concentração, pensamento circular em torno das mazelas humanas, desvalorização da autoimagem, entre outras características distintas da tristeza. É comum também ocorrer a modificação de algumas funções fisiológicas, como o sono (principalmente insônia) e o apetite (o mais comum é perdê-lo). Portanto, é preciso mencionar que a Depressão, ao contrário da tristeza, pode acarretar a presença de ideias sobre a própria morte e, em casos graves, a intenção de provocá-la (VERZTMAN, 2011).

Embora a tristeza seja algo comum e natural, é sim importante sempre estar atenta a ela, visto que a Depressão raramente recebe tratamento quando está no início. Assim como existem pessoas que estão tristes e acreditam estar com Depressão, existem aquelas que de fato estão com a doença, mas não dão a devida atenção por acharem que estão apenas tristes.

Então, para evitar que haja confusão quando o assunto é Depressão e Tristeza, saiba que ambos possuem períodos diferentes. A tristeza passa. A Depressão volta constantemente e apresentam os mesmos sintomas, senão piores a cada crise. A tristeza enfraquece o indivíduo por conta do desânimo e a Depressão faz com que a mesma perca totalmente as suas forças e a vontade de fazer absolutamente tudo, principalmente as coisas que mais gosta. Em suma, fique atento aos sintomas que cada um apresenta para ter mais certeza daquilo que está se passando com você.

Caso você tenha a suspeita de que realmente está com Depressão, não pense duas vezes em buscar ajuda. Procure um psicólogo, pois o mesmo irá te escutar e analisar se de fato você está com a doença. E se for necessário tomar remédios, não exite em procurar um Psiquiatra. Depressão é uma doença grave e exige tratamento.

Ansiedade, mal do século XXI

Quanto mais se tem, mais se quer.

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O processo da não aceitação – a neurose – cria posicionamentos e imobilização. As frustrações, as impotências, o medo, o pânico de estar no mundo com o outro, são também sintomas desse processo. Viver sem conseguir realizar desejos deixa o ser humano angustiado. E ao estabelecer planos e metas para mudar o que o estigmatiza, ele aumenta sua não aceitação, iniciando assim o processo de ansiedade.

 

Cada meta atingida, cada desejo realizado, esvazia. O desejo saciado não satisfaz, pois ele, o desejo, surgiu de uma fuga, de um deslocamento, de uma vivência não presentificada, falta base, falta chão, falta estrutura. É o vazio sob a forma de despersonalização, submissão, sobrevivência, massificação. Tudo isso aparece de várias maneiras no comportamento de quem está vivenciando esse processo e pode surgir como vício, como apego,  compulsão ou  ganância, por exemplo. É o popularmente expresso como: “quanto mais se tem, mais se quer“.

A realização das metas gera a necessidade de mantê-las, criando assim novas metas e insegurança: medo de perder o conseguido e de não mais atingir o que deseja. A ansiedade se estabelece. Este sintoma – a ansiedade – desorganiza a vida psicológica. Novos problemas surgem e com eles a tentativa de aplacá-los: mais amigos, mais apoios, mais resultados, mais sedativos, mais prazer etc.

Deste processo, segue-se a imobilização, a depressão, que muitas vezes é uma maneira de fugir da ansiedade, é mais um deslocamento pois a depressão acalma, tira “aquela agonia“. Ela revela e amplia o vazio, o despropósito do existir. Se tudo era meta, se a vida só tinha sentido pelo que podia ser conseguido, depois da repetição de satisfações e insatisfações, a pessoa estaciona na depressão. A ansiedade é um ciclone que deixa escombros; a depressão incapacita, esvazia e desumaniza. Ansiedade e a depressão que geralmente a segue são um só processo.

A angústia foi considerada a doença do séc. XX, mas, na visão do senso-comum e de vários profissionais, tudo tem seu lado bom e seu lado ruim e se descobriu nela um aspecto bom: ela engendra e provoca a criatividade.

A ansiedade é a doença do séc. XXI (alguns afirmam ser a depressão, pensando que ela é diferente da ansiedade). Continuando com a idéia reducionista de que “tudo tem seu lado bom e seu lado ruim“, a ansiedade é boa pois é o dínamo que nos faz agir, que nos desacomoda.

O que se chama de transtorno bipolar pode ser reconhecido nas configurações do processo de ansiedade e sua resultante,  a depressão.

Os comprometimentos valorativos de um século dividido, de um século cravado em polaridades: da “Guerra Fria” até as definições de certo e errado, adequado e inadequado, virtuoso e impuro, familiar e devasso etc que pautavam a vida só podiam angustiar, estreitar comprometer a existência humana a padrões alienantes.  No final do séc. XX, muitos desses padrões foram derrubados, muitos muros desapareceram, mas nenhuma unidade, nenhuma integração do humano surgiu, pelo contrário, assistimos infinitas divisões, geradoras de ansiedade, de depressão.

A sociedade atual ampliou a ideia de que é possível conseguir o que se quiser e tudo está ao alcance, de que não existem mais estigmas, não existem diferenças, não existem limites. O grande shopping está aberto, o mercado se amplia. Se nos anos 70 o conflito era entre ser e ter, agora é entre ser e parecer. A divisão atual é basicamente entre o que é e o que parece ser; é o século dos reparos, das próteses, da construção de imagens. Tudo isto serve para alimentar ansiedades e depressões, tanto quanto para vender seus antídotos.

 

O medo

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O psicanalista Henrique Senhorini traz uma reflexão muito interessante acerca do medo: amigo ou inimigo? Leia e descubra!

Neste texto apresentado na “Jornada Mal-Estar na Cultura: O Medo”, realizada nos dias 31 de agosto e 01 de setembro de 2012, ele nos traz uma reflexão muito interessante acerca do medo a partir da sua experiência pessoal. Pasmem todos aqueles que até então acreditavam que psicanalistas são seres mágicos e iluminados, que ‘não sentem essas coisas’.

Abaixo, segue parte deste rico material:

“O que me levou a fazer essa reflexão foi o medo. Eu explico: a oportunidade de produzir um texto para publicação suscitou, em mim, uma sensação de surpresa, seguida por uma satisfação – misto de felicidade, reconhecimento, honra e lisonjeio. Mas isso durou muito pouco, porque após aceitar o desafio, assumir compromisso, e cair a ficha da real dimensão desse feito, da importância da publicação e o que ela representa em termos de transmissão, um frio congelante percorreu a minha espinha, de ponta a ponta.

Era disso que se tratava: o medo.

E, por um bom tempo, ele me causou certa paralisia, bloqueando o surgimento de um mínimo de organização na elaboração daquilo que me propus a fazer (o medo causa isso?).

Bem, a questão que não se calava era: como abordar o tema “Medo” sem cair na vala da Fobia e nem na do Pânico?

Dias seguiam e nada desse medo ir embora, ao contrário, na medida em que o tempo avançava – e eu não produzindo nada – a impressão era que ele aumentava.

Mas, medo de quê? Questionava. Medo de não conseguir me expressar de forma inteligível? Medo de fracassar? Medo de decepcionar? De não dar conta de minha frustração caso não conseguisse? Afinal, era medo de falar sobre o Medo?

Mas de repente não mais que de repente – lembrando o poeta Vinicius de Moraes –, a chamada “paralisia” foi dando lugar a um movimento. Não é que o medo em decepcionar, que poderia me fixar numa posição de nada fazer, de nada saber e de nada querer, promoveu justamente o oposto, me colocando em atividade mental e física? – (seria esse os dois lados da moeda do medo?).

Bem, aqui estou, porém nada tenho a ensinar, mas tenho algo a dizer: O Medo – Amigo ou Inimigo? E por que o medo surge e responde de forma diferente para cada um de nós? Por que para uns paralisa e para outros mobiliza? Freud nos ensina que o tipo da resposta de nossas escolhas depende da especificidade de cada sujeito e da singularidade da interação entre constituição psíquica e circunstâncias do ambiente e da história de cada um.

E vocês têm de medo de quê?

Na clínica, na minha clínica, o que aparece muito são pessoas que procuram entrar num processo de análise sem saber direito o que as levam até lá. Apresentam uma causa, mas na maioria das vezes e sem conhecimento prévio disso, é outra. Não raro, surge a questão do medo, mas ele vem disfarçado.

Bem, trata-se do medo da falta do amor do Outro. Medo de não sentir amor. Medo do desamor. Medo da perda do amor. Da perda do objeto de amor. Medo de não se fazer objeto de amor para Outro. E esse outro, esse grande Outro pode ser o Outro primordial (geralmente a mãe), o pai, o esposo/esposa, a sociedade, o capital, e outros, que vão ocupando esse lugar de suposta importância no decorrer da vida.

E, também, aparece na forma de medo em não ser reconhecido pelos colegas, pelos pares, pelo pai, pela mãe, como o melhor dos filhos, como o mais sociável, como o mais articulado, o mais clicado pelo facebook (Outro?), e por aí vai. Além desses, tem também um tipo de medo, esse talvez um pouco mais acentuado, que é o medo de descobrirem as nossas faltas, os nossos buracos, as nossas falhas, os nossos erros e enganos, e aquele bem escondido nosso lado obscuro, nosso Lado B, nosso lado Darth Vader.”

Leia o texto completo aqui.